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A importância do equilíbrio ácido-base

08
Set
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Diversos estudos têm demonstrado a relevância de vários factores externos no controlo da pressão arterial, entre os quais o estilo de vida e o padrão alimentar, com particular destaque para os catiões e os aniões que o compõem. A primeira publicação que relacionou o consumo de sal e a hipertensão arterial data de 1960. Posteriormente, vários trabalhos experimentais e epidemiológicos demonstraram uma forte associação entre o consumo crónico de cloreto de sódio (sal de cozinha) e a pressão arterial.

Têm sido realizadas inúmeras investigações no que concerne à sensibilidade ao sal, através das quais se constatou a sua variabilidade em função de factores genéticos, raça, etnia, idade, sexo, massa corporal, alimentação, doenças associadas (hipertensão, diabetes mellitus, disfunção renal). Por exemplo, os afro-americanos apresentam uma maior sensibilidade ao sal, modulável com a administração de potássio (Morris, 1999). A ingestão adequada de potássio revela-se hoje da maior importância no controlo da sensibilidade ao sal, bem como na sua relação com a diminuição da pressão arterial. O ensaio realizado para o Dietary Approaches to Stop Hypertension – Collaborative Research Group correlaciona, para além do sódio, também o magnésio, o potássio e o cálcio e a sua interferência na pressão arterial. Este foi o primeiro estudo que avaliou o efeito de um padrão alimentar como um todo, e não dos  seus vários nutrientes isoladamente, e nele se conclui que a redução da pressão arterial está relacionada quer com o sódio quer com uma dieta DASH, ou seja, um padrão alimentar muito rico em potássio, magnésio e cálcio e com um baixo teor de gordura saturada, de colesterol e de proteínas.

A dieta actual apresenta um desequilíbrio claro entre o consumo de electrólitos, com particular incidência nas bombas sódio/potássio, cloreto/bicarbonato, que podem interferir na pressão arterial.

Os vários estudos têm sido efectuados no sentido de demonstrar a influência do consumo de sal no aumento da pressão arterial, contudo, alguns revelam pouca clareza no que se refere à denominação do sódio e à utilização do cloreto de sódio, pois o facto de o sódio (Na+) ser consumido isoladamente sem a associação do ião cloreto (Cl-) não apresenta um efeito prejudicial na pressão arterial. A sobrecarga de sais de sódio ou citrato não apresenta a mesma capacidade de aumentar o volume plasmático, bem como a pressão arterial, tal como ocorre mediante o consumo de cloreto de sódio.

O padrão alimentar ocidental promove um franco desequilíbrio na ingestão de potássio e de bicarbonato e um acentuado consumo de cloreto de sódio. Posta esta realidade, verifica-se um desequilíbrio nas bombas supracitadas (sódio/potássio, bicarbonato/cloreto) como consequência do deficiente consumo de legumes e de frutas e  do elevado aporte de proteína animal e de alimentos processados.


•    Demigne C., Sabboh H., Remesy C., Meneton P. «Protective Effects of High Dietary Potassium: Nutritional and Metabolic Aspects», J. Nutr. 2004; 134 (11):2903.
•    O' Shaughnessy K. M., Karet F. E. «Salt Handling and Hypertension», J. Clin. Invest., 2004; 113(8):48-54.
•    Luft F. C., Weinberger M. H. «Heterogeneous Responses to Changes in Dietary Salt Intake: the Salt-Sensitivity Paradigm», Am. J. Clin. Nutr. 1997; 65(2 supl.):612S-7S.
•    Kido M., Ando K., Onozato M.L., et al. «Protective Effect of Dietary Potassium Against Vascular Injury in Salt-Sensitive Hypertension», Hypertension 2008; 51(2):225-31.
•    Sebastian A., LA F., Sellmeyer D., Morris R., «An Evolutionary Perspective on the Acid-Base Effects of Diet», Gennari J, ed. Acid-Base Disorders and Their Treatment. Nova Iorque: Marcel Dekker, Inc., 2002.
•    Schoppen S., Pérez-Granados A. M., Carbajal A., et al. «A Sodium-Rich Carbonated Mineral Water Reduces Cardiovascular Risk in Postmenopausal Women», J. Nutr. 2004, 134, 1058-63.
•    Schorr U., Distler A., Sharma A. M., «Effect of sodium chloride- and sodium bicarbonate-rich mineral water on blood pressure and metabolic parameters in elderly normotensive individuals: a randomized double-blind crossover trial», J. Hypertens., Janeiro de 1996, 14(1), 131-5.
•    Sebastian A., L. A. F., Sellmeyer D., Morris R., «An Evolutionary Perspective on the Acid-Base Effects of Diet», Gennari, J. (ed.), Acid-Base Disorders and their Treatment, Nova Iorque: Marcel Dekker, Inc., 2002.
•    Frassetto L. A., Morris R. C. Jr., Sebastian A., «Dietary Sodium Chloride Intake Independently Predicts the Degree of Hyperchloremic Metabolic Acidosis in Healthy Humans Consuming a Net Acid-Producing Diet», Am. J. Physiol. Renal Physiol. Agosto de 2007; 293(2):F521-5. Epub: 23 de Maio de 2007.

1 Comentários

António Salgado Castro
21/09/2010
Esta questão das variantes de Sódio, chamemos-lhe assim, parece-me interessante (a química sempre foi uma "paixão paralela"). Mas implicará uma revisão quase transversal da nomenclatura que actualmente usamos. Por comodidade - ou não - penso que tendemos a generalizar o(s) sódio(s)... e a própria indústria parece algo omissa quanto a este facto. Melhores cumprimentos, António Salgado Castro

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